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Clínica capixaba tira primeiro lugar em congresso nacional de radioterapia

Trabalho aborda os aspectos emocionais do paciente durante o tratamento de câncer, e foi apresentado no Rio de Janeiro, neste fim de semana

Veio para o Espírito Santo o reconhecimento do melhor trabalho de tema livre do XIV Encontro de Técnicos em Radioterapia, realizado simultaneamente ao XIX Congresso da Sociedade Brasileira de Radioterapia, no último fim de semana, no Rio de Janeiro.

No artigo apresentado, o técnico em radioterapia do Instituto de Radioterapia Vitória (IRV) Jair Santana relata sua experiência e aponta o equilíbrio entre a tecnologia empregada e o atendimento humanizado como essencial para o tratamento da pessoa com câncer. “Estou muito feliz por ter levado para outros profissionais a minha vivência com um assunto tão importante e atual”, conta.

Para Carlos Rebelo, rádio-oncologista do IRV que assina o trabalho como coautor, apesar de toda a tecnologia que existe na clínica, há uma atenção muito maior em cuidar do paciente do que da doença em si. “Este zelo se tornou o nosso diferencial, e se refletiu na conquista deste resultado de excelência que foi o prêmio”, comemora.

Acolhimento

As reações devastadoras no âmbito emocional que podem se manifestar por causa do diagnóstico de uma doença grave como o câncer também são abordados. “A ciência mostra que desequilíbrios, confusão mental, estresse e conflitos internos são inevitáveis”, explica Santana.

Mas é em meio a esse turbilhão que entram em cena as equipes responsáveis pelo cuidado: médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem, terapeutas e outros profissionais que vão lidar, em muitos momentos, com a resistência do paciente à terapia, mesmo conhecendo os avanços médico e tecnológico e as chances de cura.

Empatia

O diferencial apresentado pelo técnico no trabalho foi a empatia, que tem se mostrado o melhor caminho para mudar a perspectiva com relação ao futuro e ao sucesso da empreitada, principalmente diante do quadro de adversidades enfrentado pelo paciente. “Quando nos colocamos no lugar do outro, ele sente confiança em entregar o resto de esperança que existe ao tratamento e, por vezes, recupera a autoestima” afirma o técnico.

De acordo com o rádio-oncologista Nivaldo Kiister, de fato a atitude positiva da parte da equipe de profissionais em relação ao paciente faz grande diferença na busca pela cura. “Quando a pessoa se sente acolhida significa que o corpo passa a liberar substâncias chamadas endorfinas, que permitem que ela tenha prazer naquilo que está fazendo (o tratamento) e, consequentemente, isso repercute também no resultado final da terapia”, afirma o médico.

Mudança de comportamento

Muitos pacientes chegam cheios de dúvidas e questionamentos ao local de tratamento, precisando de atenção. “Quando os abordamos com carinho e ouvimos os seus apelos, eles também começam a acreditar em nosso trabalho”, resume Jair Santana.

Explicar o procedimento com clareza, orientar, tranquilizar, observar a ocorrência de mudanças físicas e emocionais ao longo dos dias e sinalizar aos colegas alguma necessidade, como de acompanhamento nutricional ou psicológico, são algumas das competências exigidas pela profissão.