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Dançar funk pode causar hérnia de disco

Esforços repetitivos prejudicaram a saúde da cantora Ludmilla, que precisou cancelar agenda de shows por causa do problema

Os esforços repetitivos, como o movimento realizado para fazer o “quadradinho”, e o uso de sapatos com salto alto são características do funk que podem causar danos graves à saúde da coluna.

No mês de maio, a cantora Ludmilla precisou cancelar a agenda de shows devido a fortes dores nas costas: três hérnias de disco foram descobertas na região lombar da cantora.

A hérnia é causada pelo desgaste dos discos intervertebrais, estruturas cartilaginosas que têm a função de evitar o atrito entre uma vértebra e outra, conforme explica o ortopedista Lourimar Tolêdo, membro da Sociedade Brasileira de Coluna.

“Quando essas estruturas se desgastam, os nervos da região da coluna são pressionados, provocando dor intensa, que pode levar os pacientes a se afastarem totalmente de suas atividades para tratá-la”, esclarece o médico.

Nos casos mais graves, além da dor, existem alterações da sensibilidade e da força motora do local afetado.

Causas

Segundo Tolêdo, existem vários motivos que podem levar ao problema, e que as pessoas estão associando com a dança em função do reconhecimento da cantora. “Uso de salto, fatores genéticos, postura incorreta durante o dia e excesso de shows, no caso dela, podem estar envolvidos. Se a pessoa fizer o movimento correto (com a coluna estabilizada e alinhada e o abdômen contraído) e tiver o grupo muscular fortalecido, não provoca hérnia de disco”, explica.

O ortopedista afirma que os fatores genéticos são as maiores causas para a formação das hérnias de disco. Porém, o excesso de atividades físicas, principalmente as de impacto, ou que precisam repetir de maneira súbita movimentos de flexão, extensão e rotação da coluna, e a recorrência de traumas no local também são responsáveis pelo surgimento do problema.

A associação entre outros hábitos desenvolvidos ao longo da vida também tem o mesmo resultado. “O envelhecimento, junto à pouca prática de atividades físicas, à obesidade e ao tabagismo, são razões importantes. Da mesma forma, carregar muito peso e fazer esforços repetitivos com postura incorreta também pode comprometer a musculatura que dá sustentação à coluna e favorecer o aparecimento de hérnias”, aponta Lourimar Tolêdo.

Prevenção

Para prevenir o surgimento do problema, recomendam-se cuidados com a postura. “Sempre que for se abaixar, dobre os joelhos e desça com a coluna reta e a musculatura abdominal contraída para evitar sobrecarga na região lombar”, completa o médico. Ele adverte ainda sobre a necessidade de avaliação antes de praticar exercícios físicos e do acompanhamento de um profissional qualificado.

Tratamento

A maioria consegue tratar o problema com medicação ou fisioterapia, segundo o ortopedista. Para muitas pessoas que não tiveram êxito com as chamadas medidas conservadoras, as técnicas de cirurgia minimamente invasivas (como as realizadas por vídeo) vêm apresentando bons resultados, afirma.

“A cirurgia por vídeo consiste em descomprimir os nervos prejudicados pela doença sem agredir os tecidos sadios. Como não há necessidade de usar parafusos e hastes, preservamos todas as estruturas do organismo, como a musculatura, ossos e ligamentos”, explica. 

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