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Médica do ES tira 10 dúvidas sobre o 2º câncer mais comum no Brasil

Em 2021, 40.990 novos casos devem ser diagnosticados no país, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA)

O mês de março é dedicado à conscientização sobre o câncer colorretal, doença que é o segundo tipo de tumor mais comum entre os brasileiros, sem contar o tumor de pele não melanoma. Em 2021, 40.990 novos casos devem ser diagnosticados no país, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Em 2019, foram registradas 20.578 mortes relacionadas a este tipo de neoplasia.

O câncer colorretal tem origem multifatorial e é um tipo de tumor maligno que afeta o intestino grosso, o cólon ou o reto. A idade mais comum em que essa doença se manifesta é a partir dos 50 anos, com incidência semelhante entre homens e mulheres.

Entretanto, pessoas mais jovens também podem adoecer. Em agosto de 2020, o ator Chadwick Boseman, astro do filme “Pantera Negra” e um dos Vingadores do universo Marvel, morreu de câncer de cólon aos 43 anos.

Neste Março Azul Marinho, a médica radioterapeuta Anne Karina Kiister Leon, do Instituto de Radioterapia Vitória (IRV), tira 10 dúvidas de pacientes sobre a doença e alerta que tabagismo e sedentarismo são fatores de risco que devem ser levados em conta.

1) O que é o câncer colorretal e quais são seus principais fatores de risco?

Anne Kiister – É um tumor que atinge o trato digestivo, da parte do cólon e o reto, que são as partes do intestino.

Os principais fatores de risco são: idade acima de 50 anos; excesso de peso corporal; alimentação pobre em frutas e vegetais; alto consumo de processados, como mortadela, linguiça, bacon, salaminhos; e ingestão exagerada de carne vermelha. Além disso, o histórico familiar de câncer de intestino pode contar, bem como tabagismo e consumo de bebidas alcóolicas.

2) Até que ponto a alimentação pode interferir no desenvolvimento da doença? Sedentarismo também interfere?

A má alimentação interfere sim, porque a pessoa ingere muitas substâncias que são cancerígenas por conta do processamento e armazenamento. Quanto mais industrializado for o alimento, maior a chance destes compostos de conservação desenvolverem um tumor. 

E o sedentarismo pode interferir em função do aumento de gordura visceral, que pode prejudicar.

3) Fumar pode ser um fator de risco? Por quê?

Sim. O tabagismo está associado ao aumento do risco do câncer colorretal. Mas a medicina ainda não sabe qual é essa relação exata, se existe uma *dose e resposta* ou mesmo qual o efeito do tabagismo em diferentes subtipos de câncer colorretal. Sabemos que nos estudos, os pacientes que nunca fumaram tiveram menos chance de acometimento de câncer colorretal do que os pacientes que fumavam.

4) Quais sintomas devem ser observados?

Sangue nas fezes, alterações no âmbito intestinal com episódios de constipação e diarreia, dor ou desconforto abdominal, sensação de distensão abdominal, perda de peso, fraqueza, anemia, alteração no formato das fezes ou até mesmo uma massa palpável no abdômen.

5) Em 2020, o câncer colorretal matou o ator Chadwick Boseman, o astro de “Pantera Negra”. Negros correm mais risco de ter a doença? Por quê?

Os negros têm uma maior incidência sim do câncer de colorretal, mas as razões não são bem compreendidas ainda pela medicina. 

6) Ter um pólipo significa ter câncer colorretal?

O fato somente de ter um pólipo não quer dizer que a pessoa tenha câncer, nem que terá algum tumor. Histórico de pólipos ou determinados pólipos aumentam a chance de ter o câncer colorretal, mas não significa necessariamente que ter o pólipo quer dizer que a pessoa terá câncer de cólon e reto. 

7) É possível prevenir esse tipo de tumor?

Existem fatores possíveis de prevenir, com a adoção de um estilo de vida com prática de atividade física, redução de peso, dieta equilibrada com bastante frutas e fibras, e evitar hábitos como tabagismo e alcoolismo. 

Mas em alguns casos não é possível, como os casos de pessoas que têm histórico de câncer colorretal na família, presença de pólipos ou de algumas síndromes hereditárias que podem predispor o câncer. 

8) Como é feito o diagnóstico da doença?

Primeiro é investigado se há sangue oculto nas fezes para verificar se há alguma alteração. Também é feita a colonoscopia de rotina. Se o paciente tiver histórico familiar, ela é feita antes para poder fazer o diagnóstico. Se tiver alguma alteração, é realizada a biópsia.

9) Existe algum grupo de risco ou idade mais propensa para se desenvolver a doença?

Pessoas maiores de 50 anos, com histórico familiar de câncer de intestino ou história pessoal, doença inflamatória como retocolite ulcerativa e doença de Crohn, câncer colorretal hereditário, polipose adenomatosa familiar. São pacientes que precisam ser avaliados mais de perto.

10) De que forma a radioterapia pode ajudar no tratamento da doença?

Normalmente, a radioterapia trata o câncer de reto. O câncer de cólon é tratado com cirurgia e quimioterapia. O tratamento radioterápico é feito de forma neoadjuvante, ou seja, antes da cirurgia, ou pós-cirúrgica. 

Na grande maioria das vezes, a radioterapia é feita antes da cirurgia ao mesmo tempo que a quimioterapia.

Tudo depende do estado do tumor no paciente e da avaliação clínica com o oncologista.

A radioterapia feita antes da cirurgia tem como objetivo reduzir a lesão e melhorar a condição cirúrgica para que ela tenha maior sucesso. 

Sobre o IRV

Fundado em 2005, o Instituto de Radioterapia Vitória (IRV) é a única clínica privada do Espírito Santo para o tratamento de câncer por meio deste serviço. Funciona nas dependências do Vitória Apart Hospital, na Serra, com tecnologia de ponta e equipe altamente qualificada que tem como filosofia de trabalho o acolhimento dos pacientes.

O IRV tem convênio com os maiores planos de saúde do Espírito Santo, como Unimed, Samp, São Bernardo, Bradesco Saúde, MedSênior, Pasa/Vale, ArcelorMittal, Petrobras, Cassi (BB), Saúde Caixa, Banescaixa, Amil, entre outros.