Por Vera Caser

 

Alguns dirigentes cooperativistas costumam afirmar que, quando a sociedade descobrir as vantagens dessa forma de fazer negócio, o segmento vai crescer de maneira significativa no Brasil. Na verdade, não cabe à população o papel de descortinar as oportunidades que ela pode usufruir por meio do associativismo. As cooperativas é que precisam se mostrar, de forma simples e clara, e apresentar as possibilidades competitivas em diversos ramos nos quais atuam, como crédito, agropecuário, educacional, transporte e saúde.

 

E a única forma de se fazer isso é por meio de um processo eficaz e contínuo de comunicação e marketing, lastreado na formação de dirigentes e na contratação de gestores qualificados para coordenar o setor. Até pouco tempo atrás, pouco se falava sobre esse segmento, que tinha muita dificuldade para esclarecer como funciona.

 

Não é simples mesmo traduzir para a população a complexidade do modelo de negócio cooperativista. Daí a necessidade de formação específica de pessoas para essa finalidade. Assim, esse desafio se torna viável. Com dirigentes treinados e gestores de comunicação e marketing qualificados para exercer a função, fica muito mais fácil mostrar como a cooperativa efetivamente atua para atender os interesses dos seus associados, e não para obter lucro.

 

Uma providência fundamental, neste sentido, é decifrar os termos técnicos inerentes ao negócio. No ramo crédito, por exemplo (no qual atuo há 17 anos), pouco adianta apresentar o balanço nas assembleias de prestação de contas se as expressões contábeis não forem explicadas de maneira natural, próxima do dia a dia do associado.

 

Foi percebendo essa necessidade que criamos para o Sicoob ES, há alguns anos, uma compilação dos principais termos utilizados no balanço, com definições claras que facilitam a compreensão dos dados que estão sendo apresentados. Dessa forma, a cooperativa efetivamente pratica o princípio da transparência. Essas explicações são utilizadas até hoje nos impressos distribuídos durante os encontros de prestações de contas e nas conversas com os associados.

 

Houve um avanço, mas ainda é preciso aproximar com mais efetividade a cooperativa do seu cliente. Essa mudança será capaz de impulsionar o crescimento do negócio. Consequentemente, os associados e as regiões onde eles vivem ganharão ainda mais em desenvolvimento.

 

Segundo a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), atualmente 13,2 milhões de cooperados são vinculados às 6.655 instituições que operam no Brasil, gerando cerca de 380 mil empregos diretos. O ramo crédito corresponde aproximadamente à sexta parte do total de empresas e congrega em torno de 9 milhões de pessoas físicas e jurídicas, segundo dados do Fundo Garantidor de Crédito das Cooperativas (FGCoop).

 

Mesmo com números tão grandiosos, o impacto sobre a população não é tão significativo quando comparado ao de outros países. O percentual de associados em relação à população brasileira, de acordo com o FGCoop, chegou a 4,7% em dezembro  do ano passado, enquanto nos Estados Unidos e no Canadá a terça parte dos moradores é cooperada. Esse percentual chega a 22% na Alemanha. Portanto, existe um universo significativo para ser convencido.

 

Nunca houve um ambiente tão propício para o crescimento do cooperativismo. Um dos fatores positivos é que, desde sua origem, esse modelo de negócio tem afinidade com períodos de crise. Faz todo sentido, pois as pessoas se unem em torno de um objetivo comum, o que contribui para a possibilidade de êxito. Outro é a tendência de compartilhamento que se estende para várias áreas da economia, como bem exemplificam o Airbnb, os aplicativos de transporte como o Uber e os programas que disponibilizam bicicletas para uso público com custo subsidiado em várias cidades, como o Bike Vitória e o Bike Rio, entre outros.

 

As ferramentas de comunicação estão cada vez mais eficazes, com grande potencial para contribuir para o avanço do segmento. Além disso, o Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC) incluiu a comunicação nas Diretrizes Estratégicas para o período 2018-2022. Cabe às instituições investir em ações efetivas que estimulem ainda mais a sociedade a usufruir as vantagens desse modelo de negócio tão contemporâneo. 

 

Vera Caser é consultora em comunicação empresarial